quarta-feira, 4 de março de 2015

Mais ao sul



Qual é a graça de brincar o carnaval acompanhado da namorada ou da patroa?

Como passar os dias de folia, no agito das massas, sem apreciar e atender as exigências dos corpos nus e dos comportamentos desregrados, sem rolar ciúmes medidos e desmedidos?

Ah, o ciúme... Palavrinha cabulosa!

João e Maria estavam casados e no miolo da agitação de Olinda (Oh, linda!).

Dançando e pulando, Joana se aproxima de João. Lança uma piscadela de olho para o rapaz ao mesmo tempo em que se achega e sensualiza cada vez mais a dança.

Aproxima-se insidiosamente e num gesto felino (feminino) e indefensável agarra-o pelo rosto suado e beija-o na boca. Um beijo de língua molhado e rasgado, bem apropriado ao calor das carnes e direcionado pro lado de baixo da linha do equador.

João até que tentou disfarçar o gosto, mas as mãos nos belos seios desnudos de Joana evidenciaram o crime.

Maria, que estava de olho e por perto, não gostou e protestou aos berros:

—Se ficar pegando essas piranhas, eu vou beijar todos os homens daqui!

João fez de conta que não ouviu.

Maria foi aos 120 decibéis.

—Ouviu, seu filho da puta!?

Apontando pro gordinho que estancou por perto pra assistir a cena, João esculachou.

—Começa por esse baiacu. 


C.

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